Jornada das mulheres camponesas contra o agronegócio - Manifesto
Mulheres camponesas na luta contra o agronegócio, por reforma agrária e soberania alimentar
Nós mulheres, camponesas, ribeirinhas, extrativistas, indígenas, quilombolas e sem terra, queremos denunciar com nossas ações políticas a extrema gravidade da situação dos trabalhadores rurais no Brasil. Não nos subordinaremos a este modelo capitalista e patriarcal de sociedade, concentrador de poder e de riquezas. Não queremos o projeto de agricultura do agronegócio, hidronegócio e das empresas transnacionais no Brasil.
Nos mobilizamos para denunciar a crise política, econômica, social e ambiental, criada pelas elites que controlam o Estado: capital financeiro internacional e transnacionais. Não aceitamos pagar a conta da crise, com a super-exploracão de nosso trabalho, baixos salários, aumento da jornada de trabalho e com o avanço da exploração sobre os recursos naturais. Por isso, DENUNCIAMOS:
O AGRO E O HIDRO NEGÓCIO SÃO INSUSTENTÁVEIS: os monocultivos, com destaque para a cana, soja e eucalipto causam um forte desequilíbrio ambiental, sérios problemas sociais, gerando graves conseqüências para a humanidade, através do uso intensivo de venenos. É um modelo que se apropria e domina a água, a terra, as fontes de energia, os minérios, as sementes e toda biodiversidade. Exerce controle das sementes, através dos transgênicos, que provoca o aumento de doenças, especialmente em mulheres e crianças. Avança sobre os recursos naturais, com a ganância de aumentar seus lucros sobre as florestas, na Amazônia e no que resta do Cerrado, da mata atlântica, do bioma pampa e do semi-árido nordestino.
SUPER-EXPLORAÇÃO DO TRABALHO: os grandes lucros deste modelo são obtidos através de baixos salários, precarização, ameaça constante de desemprego e condições semelhantes de trabalho escravo. É esta super-exploração, do trabalho que permite que a mercadoria fruto deste modelo, seja uma das mais baratas e competitivas do mundo.
FINANCIAMENTO DO ESTADO: este modelo é beneficiado através de investimento público que tira dos pobres em forma de impostos e passa os recursos para os bancos e empresas. O governo brasileiro recolhe da sociedade todos os anos, cerca de 150 bilhões de reais para transferir aos bancos na forma de pagamento de uma divida, que o povo não fez e nunca foi consultado. Os donos desses títulos não são mais que 20 mil ricos, entre donos de bancos, especuladores nacionais e internacionais. Sem esses recursos, o governo não consegue investir em educação, emprego, saúde, direitos previdenciários, habitação e reforma agrária. Este repasse se dá principalmente através do FAT e do BNDES – órgãos governamentais. É o modelo mais rentável para os capitalistas, e o mais dependente dos investimentos públicos. Por gerar divisas em dólar, o governo e o Estado lhe dão total amparo. Em especial, em linhas de crédito: o agronegócio recebe mais de 65 bilhões de reais por ano dos bancos públicos. E com isenção dos impostos de exportação. Exportar apenas matéria prima não desenvolve o país, nem distribui renda a todos e todas.
ALIANÇA que afeta a soberania alimentar e o controle da agricultura brasileira: Há uma aliança entre os grandes proprietários de terra com as empresas transnacionais que controlam o fornecimento dos insumos industriais -adubos, fertilizantes, venenos e máquinas- controlam o preço e o mercado de cada produto. O Brasil continua priorizando a exportação de matérias primas, sem valor agregado, vendendo à preços baixos, e transferindo parte de nossas riquezas naturais, inclusas no produto.
A CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA: Nos últimos tempos, o Estado tem utilizado todo aparato policial, o poder judiciário e a mídia para defender as empresas, o agronegócio e a propriedade privada e criminalizar as lutas sociais. Reafirmamos a luta como única saída para as transformações sociais! E temos direito de lutar!
Nos mobilizamos para defender, a agroecologia, a biodiversidade, a agricultura camponesa cooperada, a produção de alimentos saudáveis, a Reforma Agrária, os direitos previdenciários, a saúde e educação gratuita e de qualidade para todos. Para defender a terra, a água, as sementes, a energia e o petróleo como bens da natureza a serviço dos seres humanos.
Rompemos o silêncio para resgatar a cultura e o conhecimento camponês, resgatar o nosso Brasil. E para isso, convocamos todo o povo brasileiro a ir á luta. E nos unir para construir um novo projeto de desenvolvimento que beneficie o povo brasileiro e não as empresas e os bancos.
Seguiremos lutando e organizando as mulheres, os homens, a juventude trabalhadora, as crianças para defender os nossos direitos de viver no Brasil justo, igualitário e soberano
Viva 08 de março: dia internacional de luta das mulheres trabalhadoras!
via campesina brasil e fetraf – março 2009
Mujeres campesinas en la lucha contra el agro-negocio, por reforma agraria y soberanía alimentaria.
Nosotras mujeres, campesinas, ribereñas, extractivistas, indígenas, quilombolas y sin tierra, denunciamos a través de nuestras acciones políticas la extrema gravedad de la situación brasileña. No nos subordinaremos a este modelo capitalista y patriarcal de sociedad, concentrador de poder y de riquezas. No queremos el proyecto de agricultura del agronegócio, hidro-negocio y de las transnacionales en Brasil.
Nos movilizamos, para enfrentar la crisis política, económica, social y ambiental, creada por las elites que controlan el Estado: capital financiero internacional y transnacionales. No aceptamos pagar la cuenta de la crisis, con la súper-explotación de nuestro trabajo, bajos salarios, aumento de la jornada de trabajo y con el avance de la explotación sobre los recursos naturales. Por eso, DENUNCIAMOS:
EL AGRO E HIDRO-NEGOCIO SON INSOSTENIBLES: los monocultivos, con destaque para la caña, soja y eucaliptos, a través del uso intensivo de venenos, causan un fuerte desequilibrio ambiental, serios problemas sociales y generando graves consecuencias para la humanidad. Es un modelo que se apropia y domina el agua, la tierra, las fuentes de energía, los recursos minerales, las semillas y toda la biodiversidad. A través de los transgénicos ejerce el control de los semillas, causando el aumento de enfermedades, especialmente en mujeres y niños. Avanza sobre los recursos naturales, con el objetivo de aumentar sus lucros sobre las florestas, en Amazonia y el lo que aún subsiste del Cerrado, de la Floresta Atlántica, del bioma pampa y del semi-árido del nordeste.
SÚPER-EXPLOTACIÓN DEL TRABAJO: los grandes lucros de este modelo son obtenidos a través de bajos salarios, precarización, amenaza constante de desempleo y condiciones semejantes a las del trabajo esclavo. Esta súper-explotación del trabajo es la que permite que las mercaderías – resultantes de este modelo, sean una de las mas baratas y competitivas del mundo.
FINANCIACIÓN DEL ESTADO: Este modelo es beneficiado a través de las inversión pública que retira los recursos de los pobres – en la forma de impuestos – y los repasa a los ricos. La sociedad brasileña gasta actualmente alrededor de 150 billones de reales al año en el pago de los títulos de la deuda pública, que son repasados para 20 mil familias, entre dueños de bancos, especuladores nacionales e internacionales. Sin esos recursos, el gobierno no consigue invertir en educación, empleo, salud, derechos de previsión social, habitación y reforma agraria. Este repase ocurre, principalmente, a través del FAT (Fondo de amparo al Trabajador) e del BNDES (Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social) – organismos gubernamentales. Es el modelo mas rentable para los capitalistas y el mas dependiente de inversiones públicas. Por generar divisas en dolares, el gobierno y el Estado le dan todo el amparo, especialmente en lineas de crédito: el agro-negocio recibe mas de 65 billones de reales por año de los bancos públicos. Y con exención de impuestos de exportación. Exportar apenas materias primas no desarrolla el país ni distribuye la renta entre todas y todos.
ALIANZA CRIMINAL: Hay una alianza entre los capitalistas y los grandes propietarios de tierra con las empresas transnacionales que controlan el abastecimiento de insumos industriales – abonos, fertilizantes, venenos y máquinas – controlan el precio y el mercado de cada producto. Brasil continua dando prioridad a la exportación de materias primas, sin valor agregado, vendiendo a bajos precios, y transfiriendo parte de nuestras riquezas naturales inclusas en el producto.
CRIMINALIZACIÓN DE LA LUCHA: En los últimos tiempos el estado ha utilizado todo el aparato policial, el poder judicial y la midia para defender a las empresas, al agro-negocio y a la propiedad privada, criminalizando las luchas sociales.
Reafirmamos la lucha como única alternativa para las transformaciones sociales! Tenemos derecho a luchar!
Nos movilizamos para defender la agroecología, la biodiversidad, la agricultura campesina cooperativada, la producción de alimentos saludables, la Reforma Agraria, los derechos de previsión social, salud y educación gratuita y de calidad para todos. Para defender la tierra, el agua, las semillas, la energía y el petroleo como bienes naturales a servicio de la humanidad.
Rompemos el silencio para rescatar la cultura y el conocimiento campesino, rescatar nuestro Brasil. Por eso convocamos a todo el pueblo brasileño a luchar y unirse para construir un nuevo proyecto de desarrollo que beneficie a todo el pueblo y no solo a las empresas y bancos.
Continuaremos luchando y organizando mujeres, hombres, juventud trabajadora niños para defender nuestro derecho a vivir en un Brasil justo, igualitario y soberano.
VIVA EL 8 DE MARZO
DÍA INTERNACIONAL DE LUCHA DE LAS MUJERES TRABAJADORAS!
VIA CAMPESINA BRASIL y FETRAF
We peasant women, riparian, extractivists, indigenous, afro-descendants and landless come forward to denounce, through our political actions, the extreme seriousness of the Brazilian situation. We will not be subordinated to a capitalist and patriarchal model of society, which concentrates power and wealth. We do not want the agriculture project from the agro-business, hydro-business and the transnational corporations in Brazil.
We are mobilizing, to denounce the political, economic, social and environmental crises created by the elite in charge of the State: national and international financial capital. We are not prepared to pay the bill of the crises, through the super-exploitation of our labor, low wages, longer shifts and the escalation in the exploitation of our natural resources. We therefore DENOUNCE:
THE AGRO AND HYDRO BUSINESSES ARE UNSUSTAINABLE: monocultures, notably sugar-cane, soy and eucalyptus cause strong environmental unbalance, serious social problems, generating grave consequences for humanity through the intense use of agro-chemicals. It is a model that appropriates and dominates water, land, energy sources, minerals, seeds, and our bio-diversity. It exerts control on seeds through GMOs, increasing illnesses, especially in women and children. It rolls over natural resources, in the greed to increase profits from forests, in the Amazon and in what is left of the Brazilian Savannah [cerrado], Atlantic forest, the pampa biome and the northeastern semi-arid.
SUPER-EXPLOYTATION OF LABOR: major profits in this model derive from low wages, precarization, constant threats of unemployment and conditions similar to slave labor. It is this super-exploitation of labor which allows the commodities produced in this model to be cheaper and more competitive in the world.
FINANCING OF THE STATE: this model benefits from public investment taken from the poor in the form of taxes and transferring those resources to banks and companies. Brazilian government collects from society, every year, 150 billion reais and transfers those resources to banks in order to pay for a debt that was not made by the people, who were never consulted about it. The owners of those papers are no more than 20 thousand rich people, among bank owners and national and international financial speculators. Without those resources, the government cannot invest in education, employment, health, welfare rights, housing and the agrarian reform. The transfer occurs specially through the FAT [Fund for the Assistance of Workers] and the BNDES [National Bank for Economic and Social Development] - -both government bodies. It is the most profitable model for capitalists and the most dependent on public investment. The government and the State give total support to it since it generates dollar credits,. That is done specially in terms of credit lines: the agro-business receives for their exports, more than 65 billion reais a year from public banks and tax exemption. To export only raw material does not develop the country and does not distribute wealth to all.
AN ALLIANCE that affects food sovereignty and the control of Brazilian agriculture: There´s an alliance between major land owners and transnational corporations to control the supply of industrial agricultural products – manures, fertilizers, chemical poisons and machines, control prices and markets for each product. Brazil continues prioritizing the export of raw materials, without added values, selling at low prices and by doing so they are transferring part of our natural wealth included in the product.
THE CRIMINALIZATION OF THE STRUGGLE: Recently, the State has used its entire police machine, the judiciary and the media to defend corporations, the agro-business and private property and to criminalize social struggles.
We reafirm the struggle as the only solution for social transformation! And we have the right to struggle!
We are mobilizing to defend agro-ecology, bio-diversity, co-op peasant agriculture, the production of healthy food, the Agrarian Reform, welfare rights, free and good health and education for all. In order to defend land, water, seeds, energy and oil as nature´s goods at the service of human beings.
We break the silence to recuperate peasant culture and knowledge, to recuperate our country, Brazil. And to do so we call the Brazilian people to join the struggle. To join us to build a new development project that will benefit the Brazilian people and not corporations and banks.
We will continue struggling and organizing women, men, the working youth, children in order to defend our rights to live in a fair, egalitarian, and sovereign country.
Hurray for march 8th: The international Day of Struggle for Working Women!
VIA CAMPESINA BRAZIL and FETRAF – MARCH 2009